Três bilhões de pessoas não podem pagar por uma alimentação saudável

Aproximadamente três bilhões de pessoas, quase 40% da população mundial, não podem pagar uma dieta saudável e outro bilhão de pessoas se somariam a esses números se novos eventos imprevisíveis reduzirem sua renda em um terço, revelou um novo relatório da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), na terça-feira (23). O relatório 'Estado da Alimentação e Agricultura (SOFA) de 2021 - Tornando os sistemas agroalimentares mais resistentes a choques e tensões' afirma que, sem uma preparação adequada, choques imprevisíveis continuarão a minar esses sistemas. O relatório define choques como eventos de curto prazo que têm efeitos negativos sobre o sistema, o bem-estar das pessoas, bens, meios de subsistência, segurança e capacidade de resistir a choques futuros.

 

Mais resiliência

A FAO enfatizou a necessidade dos países tornarem seus sistemas mais resistentes a choques repentinos, como foi o caso da pandemia de COVID-19, que desempenhou um papel importante no último aumento da fome global.
“A pandemia destacou a resiliência e a fraqueza de nossos sistemas agroalimentares”, disse o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, no evento de lançamento virtual. Os sistemas agroalimentares - a teia de atividades envolvidas na produção, armazenamento, processamento, transporte, distribuição e consumo de produtos agrícolas alimentares e não alimentares - produzem 11 bilhões de toneladas de alimentos por ano e empregam bilhões de pessoas, direta ou indiretamente.
A agência da ONU ressaltou a urgência de fortalecer sua capacidade de suportar choques, incluindo eventos climáticos extremos, surtos de doenças e pragas de plantas e animais. A produção de alimentos e as cadeias de abastecimento são historicamente vulneráveis a extremos climáticos, conflitos armados ou aumentos nos preços globais dos alimentos. No entanto, a frequência e a gravidade desses choques estão aumentando.

 

Desafios em muitos países

O documento também inclui indicadores a nível de país de mais de cem Estados-membros, analisando fatores como redes de transporte, fluxos comerciais e a disponibilidade de dietas saudáveis e variadas. E destaca que uma interrupção nas ligações críticas de transporte poderia elevar os preços dos alimentos para cerca de 845 milhões de pessoas. Embora os países de baixa renda geralmente enfrentem desafios muito maiores, os países de renda média também estão em risco. No Brasil, por exemplo, 60% do valor de exportação do país vem de apenas um parceiro comercial, estreitando suas opções caso um choque abata o país parceiro. Mesmo países de alta renda, como Austrália e Canadá, estão em risco devido às longas distâncias envolvidas na distribuição de alimentos.

 

Recomendações

Com base nas evidências do relatório, a FAO faz uma série de recomendações. A principal delas é a diversificação - de atores, fontes de insumos, produção, mercados e cadeias de abastecimento - para criar caminhos múltiplos para absorver choques. Apoiar o desenvolvimento de pequenas e médias empresas agroalimentares e cooperativas também ajudaria a manter a diversidade nas cadeias de valor nacionais. Outro fator importante é a conectividade. Redes bem conectadas superam as interrupções mais rapidamente, mudando as fontes de suprimento e os canais de transporte, marketing, insumos e mão de obra. Finalmente, melhorar a resiliência de famílias vulneráveis é fundamental para garantir um mundo sem fome. Isso pode ser feito melhorando o acesso a ativos, fontes de renda diversificadas e programas de proteção social.

*Com informações da FAO.

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