Pesquisa do Idec aponta presença de agrotóxicos em alimentos ultraprocessados no Brasil

Segundo informado pela Asbran, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) divulgou um estudo confirmando a informação de que o Brasil é um dos países que mais usam agrotóxicos nos alimentos em todo o mundo. O IDEC identificou a presença de herbicidas venenosos e prejudiciais à saúde humana, principalmente o glifosato, em diversos alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, bolachas, pães, cereais e mais.

O estudo do IDEC analisou a totalidade de 27 produtos ultraprocessados, entre alimentos e bebidas, divididos em oito categorias, e seis delas apresentaram resíduos de agrotóxicos danosos à saúde humana. Cerca de 60% dos produtos analisados apresentaram no mínimo um tipo de defensivo agrícola, enquanto pouco mais de 50% apresentaram resíduos de substâncias venenosas como o glifosato ou o glufosinato.

Ainda conforme informado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, tanto os fabricantes dos produtos quanto a própria Anvisa já receberam os resultados da análise realizada. O IDEC, após a realização do estudo, espera agora que se amplie a testagem de resíduos nos alimentos, bem como se discuta uma regulação melhor do setor.

Para informar melhor a população, e também todos os profissionais que atuam na área da saúde, o Idec reuniu os dados da pesquisa e sobre o consumo de agrotóxico no Brasil em uma cartilha que pode ser baixada no site do orgão. O material traz também informações sobre o modelo de agronegócio em vigor no país, os riscos do consumo de agrotóxicos para a saúde pública, meio ambiente e direitos humanos/justiça social. Você pode conferir a pesquisa completa aqui.

 

Sobre o glifosato

Mais de 20 países já proibiram a utilização do glifosato, agrotóxico mais usado do Brasil. A Anvisa recentemente renovou o registro do herbicida por tempo indeterminado. No entanto, é bom lembrar que, em 2015, uma avaliação da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou o produto como "provável causador" de câncer. Um ano depois, a agência reguladora europeia, EFSA, o considerou seguro para a saúde humana, desde que os resíduos nos alimentos sejam baixos. Ainda assim, a autorização para seu uso no bloco europeu só vale até dezembro de 2022.

A Áustria foi o primeiro país do mundo a banir o produto em seu território, em 2019, mesmo ano em que o governo alemão definiu cronograma de redução sistemática para bani-lo até o final de 2023. Este caminho também foi adotado pelo México, que decidiu no final do último ano eliminar o uso deste agrotóxico até 2024. Costa Rica, Uruguai e Argentina também já aprovaram limitações no uso do produto.

No Brasil, estudo realizado em parceria por pesquisadores das universidades de Princeton, Fundação Getúlio Vargas e Insper revelou há pouco tempo que a propagação do glifosato nas lavouras de soja levou a uma alta de 5% na mortalidade infantil, especialmente em municípios do Sul e Centro-Oeste, que recebem água de regiões sojicultoras.

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