Mudança climática influencia na perda da produção agrícola para pragas, conclui estudo apoiado pela ONU

Um estudo amparado pelas ONU e publicado neste mês de junho aponta para a influência da mudança climática nos prejuízos à atividade agrícola, impactando a produção alimentar. O relatório científico analisa 15 pragas de plantas que se espalharam ou podem se espalhar devido às alterações de temperatura. Os autores concluíram que a chegada de um inverno excepcionalmente quente, capaz de fornecer condições adequadas para uma infestação de insetos, representa um risco dramático.

O estudo foi preparado pela professora Maria Lodovica da Universidade de Turim, na Itália, junto com 10 co-autores de todo o mundo, sob o apoio do secretariado da Convenção Internacional de Proteção de Plantas, que a FAO hospeda.
“As principais conclusões desta avaliação devem alertar a todos nós sobre como as mudanças climáticas podem afetar o quão infecciosas, distribuídas e severas as pragas podem se tornar ao redor do mundo”, disse o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, no lançamento.

Bilhões perdidos anualmente - Cerca de 40% da produção agrícola global é atualmente perdida para as pragas, revelou a FAO. As doenças das plantas roubam a economia global em mais de 220 bilhões de dólares anualmente. As pragas invasoras custam aos países pelo menos 70 bilhões de dólares e também são um dos principais responsáveis pela perda de biodiversidade.

Espécies como a lagarta-do-cartucho, que se alimenta de plantações que incluem milho, sorgo e milheto, já se espalharam devido ao clima mais quente. Outros, como os gafanhotos do deserto, que são as pragas migratórias mais destrutivas do mundo, devem mudar suas rotas migratórias e distribuição geográfica.

Movimentos como esses ameaçam a segurança alimentar como um todo, concluiu o relatório. Também penalizam os pequenos agricultores, assim como pessoas em países onde a segurança alimentar é um problema.
Preservando a saúde das plantas - O relatório está entre as principais iniciativas do Ano Internacional da Sanidade Vegetal, que termina neste mês. Nele, os autores delinearam várias recomendações para diminuir o impacto das mudanças climáticas, começando com a intensificação da cooperação internacional, uma vez que o manejo eficaz de pragas de plantas em um país afeta o sucesso em outros. Eles também enfatizaram a necessidade de mais pesquisas e mais investimentos no fortalecimento dos sistemas e estruturas nacionais relacionados à fitossanidade.

“Preservar a fitossanidade é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e parte do nosso trabalho em direção a sistemas agroalimentares mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis”, disse Qu, diretor-geral da FAO. Como metade de todas as doenças emergentes de plantas se espalham por meio de viagens e comércio, medidas aprimoradas para limitar a transmissão, como ajustes nas políticas de proteção de plantas, também são essenciais.

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