FAO publica novo plano para combater a resistência antimicrobiana

“A silenciosa ameaça global da resistência antimicrobiana (RAM) tem um forte impacto no setor agroalimentar”, disse QU Dongyu, Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante apresentação do novo plano da FAO para ajudar os países membros a enfrentar o desafio. O impacto da RAM leva a “perdas econômicas, diminuição da produção pecuária, pobreza, fome e desnutrição, especialmente em países de baixa e média renda”, observou o Diretor em seu discurso principal durante um webinar informativo sobre o assunto organizado pela FAO como parte da Semana Global de Conscientização Antimicrobiana.

Quando expostos repetidamente a antibióticos e outros antimicrobianos, bactérias, fungos e outros micróbios podem se tornar resistentes a tratamentos destinados a matá-los ou eliminá-los, tornando os medicamentos ineficazes e aumentando o espectro de "superbactérias" incontroláveis. Cerca de 700.000 pessoas morrem a cada ano de causas relacionadas à RAM, e esse número pode aumentar para 10 milhões até 2050 se medidas não forem tomadas para mitigar esses riscos. A RAM representa um risco especial para a agricultura –o setor pecuário é o principal usuário de antimicrobianos– uma vez que o abuso ou uso excessivo de antimicrobianos gera resistência que dizima as populações animais e afeta os meios de subsistência que deles dependem. Os antimicrobianos também são usados nas lavouras –especialmente arroz e tomate– e na aquicultura para evitar perdas de produção.

“Na pecuária e na produção agrícola, é essencial que existam medicamentos eficazes para salvar vidas”, disse o Diretor-Geral. “Produtores, consumidores, investidores e formuladores de políticas em diferentes sistemas agroalimentares têm a responsabilidade compartilhada de realizar um controle eficaz da RAM por meio de bons exemplos e melhores práticas”, acrescentou. A FAO preside a Plus One Tripartite Association –também composta pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)– que renovou sua abordagem aos riscos de RAM e como mitigá-los. Além disso, a FAO está trabalhando para estabelecer –com a ajuda de centenas de contribuições de todo o mundo– uma plataforma de parceria com várias partes interessadas na RAM, que estará operacional em 2022 e garantirá que todos os aspectos e todos os níveis da diversidade da ameaça RAM sejam tratados.

 

Novo Plano de ação sobre RAM

O novo Plano de Ação da FAO sobre RAM 2021–25, também divulgado na sexta-feira, fornecerá um guia para o apoio da FAO aos seus membros. Ele observa que, uma vez que os micróbios resistentes cruzam as fronteiras, a única maneira de garantir que todos estejam protegidos é fazer um esforço global. Seus princípios fundamentais incluem a necessidade de evidências científicas para detectar e gerenciar os riscos de RAM antes que se tornem emergências em grande escala, e a utilidade de conduzir atividades de vigilância e treinamento em todo o mundo, e a importância de incentivar as partes interessadas a transformar a consciência dos riscos de RAM em medidas concretas, bem como dotando-as dos meios necessários para o fazer.

Atualmente, o objetivo primordial das medidas relacionadas à RAM não é erradicar o uso de antimicrobianos, mas preservar sua utilidade, especialmente considerando que a quantidade de produção de alimentos para consumo humano nos próximos 30 anos será igual à produzida nos últimos 10.000 anos. O Plano estabelece que “devemos continuar a manter a eficácia dos antimicrobianos tanto quanto possível para ganhar tempo até que novos medicamentos sejam descobertos”.

O Plano de Ação adota uma abordagem de “Uma Saúde” e identifica uma série de melhorias que podem ser feitas nas práticas agrícolas para melhorar o controle da RAM, por exemplo, em áreas como boa nutrição para pessoas e animais, vacinação, higiene, saneamento e genética. Outro objetivo principal é a gestão de resíduos, visto que antimicrobianos descartados por humanos e animais, bem como hospitais e matadouros, podem entrar no meio ambiente e acelerar o surgimento e disseminação de cepas e genes resistentes. O Plano prevê o aumento das atividades de pesquisa e vigilância relacionadas à RAM nos setores de safra, aquicultura e meio ambiente. A FAO já ajudou mais de 40 países de baixa e média renda a formular e implementar planos de ação nacionais sobre RAM. Também facilita o acesso a recursos técnicos e redes e desenvolveu um conjunto de instrumentos para ajudar os países a expandir suas operações para mais setores de alimentos e agrícolas.

“A FAO está aplicando ciência e tecnologia modernas e desenvolvendo abordagens inovadoras para ajudar os membros a enfrentar os desafios emergentes e tornar os sistemas agroalimentares MAIS eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis”, declarou o Diretor-Geral.

*Com informações da ONU Brasil.

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