ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE MAMA
17/10/2018 | Colunista: Sandra Tavares Brito Vieira | Categoria: Nutrição
ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE MAMA
Como fundamentar as condutas nutricionais?

Estamos em Outubro, mês de conscientização e luta contra o Câncer de Mama! E como estratégias de prevenção, o autoexame, e um acompanhamento médico regular, já estão bem estabelecidos, mas é também fundamental um acompanhamento nutricional, alinhado a práticas de vida saudável! Por isso, vamos fundamentar nossas condutas nutricionais com evidencias cientificas?

Iniciamos com a Vitamina D, onde sua deficiência tem sido associada a um maior risco de câncer! E uma revisão sistematizada com metanalise, publicada recentemente, evidencia um efeito protetor dos altos níveis de 25 (OH)D, na angiogênese de vários tipos de canceres, particularmente o câncer de mama, pelo seu papel anti-tumoral, relacionando os níveis insuficientes desta vitamina (< 12nmol/L) com pior prognóstico, pela maior proporção de metástase.

GUO, et al 2018 em seu estudo, relaciona que a terapia combinada com vitamina D melhora os efeitos antitumorais, permitindo a aplicação clínica potencial. Por outro lado, a suplementação combinada de vitamina D e cálcio, pode ainda ser um método eficiente para prevenção do câncer.

Mas, e na prática o que considerar? Fundamental a avaliação nutricional prévia do status desta vitamina, antes de adotar qualquer conduta de suplementação.

Práticas saudáveis como exercitar-se ao ar livre, promoverá geração do pré-calciferol (provitamina D3), a partir da exposição aos raios UVB, ao mesmo tempo em esta vitamina, também é obtida de leveduras e de esteróis de plantas (Ergosterol) e utilizada para o enriquecimento e fortificação de alimentos.

Paralelo a essa discussão, estudos evidenciam que a adesão a um plano nutricional rico em vitaminas do complexo B, minerais e fibras está associado a um menor risco de câncer! E em uma recente metanalise de estudos epidemiológicos, foi evidenciado que o incremento de 10g / dia na ingestão de fibras alimentar, está associado a uma redução de 4% no risco de câncer de mama, particularmente entre mulheres no pós-menopausa.

E, como garantir o consumo dessas 10g de fibras na alimentação? Muito simples, o consumo de três ou mais porções de frutas / legumes / hortaliças ao dia, já garantirá uma oferta superior a essa quantidade recomendada. Mas, vale lembrar que as fibras alimentares são consideradas agentes depressores da vitamina D, assim como o ferro, manganês, cobre, por isso, a importância de um acompanhamento nutricional personalizado, que respeite as interações nutriente-nutriente de forma a garantir melhor biodisponibilidade, contribuindo na promoção da saúde e na prevenção de doenças.


Referências:

FEREIDANI SS, et al. Nutrient Patterns and Risk of Breast Cancer among Iranian Women: a Case – Control Study. Asian Pacific Journal of Cancer Prevention, vol 19, 2018.

GUO, H et al. The role of vitamin D in ovarian câncer: epidemiology, molecular mechanism and prevention. Jounal of Ovarian Research (2018)11:71

FILHO, Benedito de Souza Almeida, et al. A deficiência de vitamina D está associada a características ruins de prognóstico do câncer de mama em mulheres na pós-menopausa. vol 174, novembro, 2017

ATOUM, M et al. Vitamina D and Breast Cancer: Latest Evidence and Future Steps. Breast Cancer: Basic and Clinical Research (2017) 11: 1-8

CHEN S, et al. Consumo de Fibra alimentar e risco de câncer de mama: Uma revisão sistematizada e meta-análise de estudos epidemiológicos. Oncotarget, 2016.

CHEN GC, et al. Circulação de 25-hidroxivitamina D e risco de câncer de pulmão: meta-análise dose – resposta, 2015.



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