Seletividade e Neofobia Alimentar na infância

O assunto de hoje é relacionados à alimentação de crianças: a seletividade e a neofobia alimentar. Você já ouviu falar nesses conceitos?

Pois nesse post vamos discorrer mais sobre eles, dando dicas de orientação nutricional e de aprofundamento nos estudos para os profissionais.

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Sumário

O que é seletividade alimentar?

Seletividade X Neofobia Alimentar

Mais sobre a seletividade alimentar

Sinais e sintomas de seletividade alimentar

Como tratar a seletividade alimentar

Opções de orientação

Mais sobre a Neofobia Alimentar

Sintomas e sinais de neofobia alimentar

Opções de Orientação

Aprofunde seu estudo

FAQ

 

O que é a seletividade alimentar?

A seletividade alimentar é um distúrbio que pode ser caracterizado por uma recusa alimentar, pouco apetite ou certo desinteresse e até receio pelo alimento. É um comportamento típico da fase pré-escolar, que pode permanecer eventualmente até a adolescência.

Inicialmente, pode ser detectada por comportamentos como birras, demorar a comer ou tentar negociar o alimento oferecido, por exemplo. Esse tipo de comportamento, se ignorado, pode resultar posteriormente em uma limitação das atividades sociais relacionadas à alimentação.

Pacientes com seletividade alimentar desenvolvem o hábito de comer sempre o mesmo alimento, textura e sabor. Além disso, costumam afirmar que não gostam de determinados alimentos antes mesmo de experimentá-los.

Em alguns casos mais sérios, o paciente pode até apresentar náusea e vômito ao se deparar com a necessidade de comer novos alimentos.

 

Seletividade X Neofobia Alimentar

Tanto a seletividade quanto a neofobia alimentar são exemplos de comportamentos alimentares característicos de crianças.

Geralmente, aparecem na primeira infância, e ambos têm em comum o fato de haver uma variedade alimentar reduzida.

A seletividade pode ser uma resistência individualem comer e/ou experimentar “novos” alimentos, ou seja, alimentos diferentes do padrão habitual de consumo.

Ainda, pode acabar sendo um risco para o desenvolvimento da neofobia, que é literalmente o medo de alimentos novos.

 

Mais sobre a Seletividade Alimentar

As causas deste comportamento são diversas, e pode haver associação com: menor duração do aleitamento materno exclusivo, introdução precoce dos alimentos complementares, baixo peso ao nascer e influência genética.

Tanto fatores orgânicos quanto psicológicos podem estar presentes nesse comportamento. Algumas crianças apresentam aversão sensorial de alguns alimentos e, quando são pressionadas a experimentar algo que ocasione este sentimento, podem rejeitar, ter náuseas e até vomitar.

Também é possível que esse comportamento de rejeição esteja ligado a alguma situação traumática. O quadro de refluxo, por exemplo, pode ser um dos fatores que levam as crianças a terem medo de comer e sentir dor.

 

Sinais e sintomas de Seletividade Alimentar

A seletividade compreende 3 principais características: recusa alimentar, repertório limitado de alimentos e ingestão alimentar única de frequência.

Recusa de alimentos: número absoluto de alimentos que os pais indicam que a criança não come, bem como na porcentagem de alimentos que a criança não come em relação ao número de alimentos oferecidos;

Ingestão Alimentar de alta frequência: alimentos (exceto bebidas) que as crianças comem mais de 4-5 vezes por dia;

Repertório limitado de alimentos: o repertório alimentar de cada criança, ou seja, quantos alimentos únicos (incluindo bebidas) cada criança consome por um período de três dias.

 

Como tratar a seletividade alimentar

A indicação é que a confirmação deste diagnóstico deve ser feita por um nutricionista ou por um médico, com base na realização de exames laboratoriais e investigação clínica dos sintomas.

Esse profissional ainda poderá verificar a presença de eventuais outros problemas que possam levar à rejeição dos alimentos, como alergia, ou dificuldades biomecânicas para mastigar e deglutir ou problemas gastrointestinais.

Especialistas nestes casos atualmente têm indicado uma abordagem de tratamento multidisciplinar, com participação de nutricionista, psiquiatra ou psicólogo e clínico geral ou pediatra.

Também é indicado que a família preze por criar um bom ambiente para as refeições da criança, seguindo conceitos como o mindful eating, descartando o uso de eletrônicos e outras distrações à mesa e proporcionando uma concentração e ligação maior com a comida.

Outras dicas para lidar com essa questão incluem estabelecer uma rotina mais fixa para a alimentação do paciente, evitar alimentos não saudáveis, propor pratos com grande variedade de grupos alimentares e envolver a criança na preparação da alimentação.

 

Opções de orientação

Para lidar com a seletividade alimentar, é importante fazer orientações como:

• Organizar uma rotina alimentar com horários definidos, inclusive com tempo máximo de refeição;

Não obrigar a criança a comer tudo o que está no prato;

Evitar a monotonia alimentar.


Mais sobre a Neofobia Alimentar

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5), a neofobia alimentar é classificada como Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo.

Está classificação é caracterizada por comportamentos com persistentes perturbações alimentares que levam a um aporte nutricional e energético insuficientes.

A neofobia refere-se a um medo avassalador de alimentos novos ou desconhecidos; 'neofobia' refere-se especificamente ao medo do novo.

Assim, a neofobia alimentar aplica esse conceito a novos alimentos, e possui alta probabilidade de ter um impacto social, psicológico e físico.

 

Sintomas e sinais de Neofobia Alimentar

Algum grau de neofobia alimentar é comum e esperado na primeira infância como parte do desenvolvimento normal, principalmente entre três e sete anos de idade.

Normalmente as aversões alimentares diminuem a partir dos oito ou nove anos de idade e é incomum que elas persistam na adolescência e na idade adulta.

Alguns dos sintomas e sinais da neofobia:

Recusa em comer novos alimentos além da primeira infância na adolescência;

• O medo de novos alimentos é esmagador;

• O paciente evita festas e viagens escolares, devido ao medo de ter que comer novos alimentos;

• Há um impacto psicológico: com a presença de angústia e ansiedade significativas, principalmente em novas experiências.

 

Opções de Orientação

Para iniciar o tratamento da neofobia, é possível:

• Não oferecer alimento com a criança cansada ou excitada;

• Respeitar os sinais de fome e saciedade da criança;

• Evitar oferecer alimentos muito calóricos antes do almoço e janta.

Após esses passos, é importante trabalhar aspectos psicológicos durante as refeições e tornar esses momentos seguros e tranquilos, criando uma relação de atenção e confiança.

O nutricionista responsável pelo atendimento de pacientes na primeira infância deve estar preparado para identificar e manejar tanto a seletividade, quanto a neofobia alimentar, a fim de evitar desequilíbrios nutricionais que podem comprometer o desenvolvimento ideal da criança no futuro.

 

Aprofunde seu estudo

Saber como identificar sinais e sintomas dos comportamentos alimentares presentes na primeira infância ou adolescência são fundamentais.

Por isso, é importante para todos os nutricionistas que pretendam atender nessa área aprofundar seus conhecimentos em Nutrição Materno Infantil.

Na Faculdade iPGS, temos um curso de pós-graduação inteiramente dedicado ao tema, a Especialização em Nutrição Materno Infantil.

Visite a página do curso, e veja todas as informações sobre disciplinas, corpo docente e possibilidades de matrícula.

 

FAQ

Existem diferenças entre neofobia e seletividade alimentar?

Sim, enquanto a seletividade se caracteriza por uma resistência, a neofobia já é um quadro clínico de medo e aversão a novos alimentos.

Qual a melhor área da Nutrição para tratar a neofobia e a seletividade alimentar?

Idealmente a Nutrição Materno Infantil, ou mesmo a Nutrição em Pediatria.

Existem outras áreas de especialização que podem também abordar esse tema?

Além das mencionadas acima, também existem áreas que também abordam esse tema, como a Nutrição Escolar e a Nutrição em Patologias.

Qual a duração de um curso de especialização?

Entre 8 e 12 meses, em média.