Em nosso país a obesidade afeta mais as mulheres do que os homens e isso merece mais atenção!

Você já parou para pensar na relação entre excesso de peso e gênero?

Essa é a reflexão que propomos no post de hoje do nosso blog!

Vamos falar das diferenças no ganho de peso entre homens e mulheres, abordando diversos fatores relacionados a esse tema.

Veja o texto completo abaixo!

 

Sumário

Excesso de peso no Brasil

Disparidade de peso e gênero

Fatores que levam a disparidades de gênero na obesidade

Diferença também no preconceito

Renda também impacta

Estude Comportamento Alimentar

Referências

 

Excesso de peso no Brasil

A cada estudo de vigilância epidemiológica e estudo longitudinal (incidência) e transversal (prevalência) realizado no Brasil, somos impactados pelo crescente e acelerado número de pessoas que excesso de peso na população.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) publicada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a obesidade entre os jovens adultos mais que dobrou entre 2003 e 2019, passando de 12,2% da população para 26,8%.

Quando estratificamos por gênero, percebemos que a obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2%, enquanto a masculina subiu de 9,6% para 22,8%.

A prevalência de sobrepeso e obesidade entre homens e mulheres varia muito dentro e entre os países, contudo, no geral, a obesidade afeta mais as mulheres do que os homens

 

Disparidade de peso e gênero

Esta disparidade entre os gêneros tem sido estudada no mundo inteiro. No entanto, essas diferenças de gênero no sobrepeso e na obesidade são exacerbadas em mulheres que vivem em países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, mais homens estão acima do peso do que mulheres.

O conhecimento atual sugere que inúmeras dinâmicas socioculturais em todo o mundo aumentam as disparidades de gênero no excesso de peso ganho.

Diferentes fatores contextuais impulsionam as diferenças de gênero no consumo de alimentos, a aculturação, por meio de caminhos socioculturais complexos, afeta o ganho de peso entre homens e mulheres.

A transição nutricional que ocorre em muitos países em desenvolvimento também afeta o ganho de peso excessivo em ambos os sexos, e tem um impacto ainda maior nos níveis de atividade física e consumo de alimento das mulheres.

De acordo com os estudos, o gênero feminino é um importante fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, estando associado com o dobro do risco de sobrepeso ou obesidade.

Mulheres também estão em maior risco de desenvolver problemas físicos e psicológicos relacionados à obesidade.

 

Fatores que levam a disparidades de gênero na obesidade

Vários fatores de risco têm sido descritos para explicar o viés de gênero associado com um fenótipo da obesidade, e essas disparidades têm implicações de longo alcance: o impacto médico, psicossocial e econômico de um indivíduo.

Apesar de ampla conscientização sobre as diferenças de gênero relacionadas à obesidade, isso ainda é considerado como um território inexplorado na medicina da obesidade.

Isso é provavelmente por causa das múltiplas dimensões complexas envolvidas com a compreensão do assunto juntamente com a falta de medidas de resultados compostos que poderiam ajudar no estudo desses fatores.

Veja exemplos abaixo de fatores que impactam na questão:

- Status socioeconômico

- Taxas de alfabetização diferentes

- Fatores socioculturais incompatíveis

- Práticas alimentares no puerpério

- Limiar não idêntico para complicações metabólicas

- Contrastes no desejo biológico de comida

- Comorbidades relacionadas a hormônios distintos

- Costumes divergentes

 

Diferença também no preconceito

Embora homens e mulheres sejam vulneráveis à estigmatização pelo seu peso corporal, suas experiências podem ser diferentes quanto à discriminação que eles estão expostos e às formas que essa toma.

Mais notavelmente, as mulheres parecem experimentar níveis mais altos de estigmatização de peso do que homens, mesmo em níveis mais baixos de excesso de peso.

Independente do gênero, os ideais de beleza normatizam o modelo corporal, e simplesmente essas normas determinam que o corpo ideal seja magro.

Entretanto, estudos sugerem que as mulheres, especialmente aquelas de meia idade ou com níveis mais baixos de educação, sofrem discriminação quanto ao peso em taxas significativamente mais altas que os homens.

Além disso, as mulheres relatam discriminação em níveis mais baixos de excesso de peso que os homens. Por exemplo, os homens tendem relatar considerável discriminação em um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 35, enquanto as mulheres relatam experimentando aumentos notáveis na discriminação de peso com um IMC menor de apenas 27.

 

Renda também impacta

Há também uma relação concreta entre desigualdade, pobreza e obesidade que tem sido demonstrada em estudos nacionais e internacionais. Isso também evidencia que as mulheres mais pobres constituem um grupo especialmente vulnerável à obesidade.

Mulheres, chefes de família ou não, que recebem baixos rendimentos, possuem menor nível de instrução, e não apresentam seguridade e proteção social, são extremamente vulneráveis à obesidade.

Simultaneamente, essas mulheres não dispõem de nenhum recurso para acessar algum instrumento de tratamento ou prevenção.

Portanto, há fatores chave que levam a esse viés de gênero e o impacto dessa discriminação nos aspectos psicológicos, sociais e saúde metabólica de um determinado indivíduo com obesidade.

Compreender as diferenças de gênero no que diz respeito a obesidade pode ter um grande impacto no tratamento de obesidade e no planejamento comunitário e individual intervenções para a prevenção e gestão desta pandemia.

Mais pesquisas são necessárias para decifrar as respostas dimórficas de gênero usando diferentes terapias e estratégias para o manejo da obesidade.

 

Estude Comportamento Alimentar

A Faculdade iPGS possui um curso de especialização inteiramente dedicado ao estudo do Comportamento Alimentar.

Lá, abordamos com profundidade tudo de mais relevante ligado à fome emocional, além de muitos outros mais.

Por isso, há vários motivos para você conhecer mais sobre o curso:

A especialização em Comportamento Alimentar proporciona ao aluno o conhecimento adequado e necessário para instrumentalizar nutricionistas e demais profissionais para realizar uma mudança efetiva e natural no comportamento alimentar dos pacientes.

A abordagem do programa é fundamentada em estratégias contemporâneas de aconselhamento nutricional, entrevista motivacional, técnicas de terapia cognitivo-comportamental, técnicas do comer intuitivo e do comer consciente, que possibilitam ao profissional conduzir no paciente o desenvolvimento de um saudável comportamento alimentar durante as consultas.

Entre as disciplinas estudadas no curso, estão Fundamentos do Comportamento Alimentar, Psicologia Aplicada ao Comportamento Alimentar, Aconselhamento Nutricional nos Ciclos da Vida, Transtornos do Comportamento Alimentar, e o Tratamento do Comportamento Alimentar em Doenças Crônicas.

Por estar gerando cada vez mais interesse no público, o Comportamento Alimentar é uma especialidade com uma demanda crescente de profissionais no mercado.

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Referências

Kapoor N, Arora S, Kalra S. Gender disparities
in people living with obesity - An unchartered territory. J Mid-life Health
2021;12:103-7

Rebecca Kanter, Benjamin Caballero, Global Gender Disparities in Obesity: A Review, Advances in Nutrition, Volume 3, Issue 4, July 2012, Pages 491–498, https://doi.org/10.3945/an.112.002063

Soares, Rafael Marques
Trajetórias de vida de pessoas com obesidade residentes em São Paulo: vulnerabilidades e marcadores sociais da diferença.