As falhas das dietas

Hoje o nosso artigo do blog aborda um tema que é sempre polêmico: dietas alimentares. Ao longo do texto, abordamos algumas falhas que as dietas, principalmente muito restritivas, propiciam ao bem-estar dos pacientes.

Também vamos falar de algumas teorias consagradas na área que abordam o tema por diferentes perspectivas, e apresentar possibilidades de estudo para os interessados em se aprofundar ainda mais no assunto.

Confira o conteúdo completo a seguir:

 

Sumário

Falhas das dietas e doenças crônicas

Teorias de análise

Teoria do set-point

Estímulos Ambientais

Hedonismo Alimentar

Aprofunde seu estudo

Referências do texto

 

Falhas das dietas e doenças crônicas

Se olharmos para os números crescentes de doenças crônicas, não será difícil perceber que uma das estratégias mais utilizadas para as combater, as dietas, não estão cumprindo seu papel, principalmente quando falamos sobre obesidade.

É totalmente observável que os pacientes em dieta restritiva muitas vezes não conseguem controlar seu peso. Embora mais e mais pessoas estejam recorrentemente realizando dietas, as taxas de obesidade nos Estados Unidos quase triplicaram e entre 1980 e 2015, e no Brasil mais do que dobraram entre 2006 e 2019.

Com base nestes dados, podemos esboçar a ideia de que as dietas são capazes de realizar a perda de peso, mas não são capazes de controlar seu avanço ou reduzir o número de casos.

Por isso, necessitamos analisar este problema por outras perspectivas. Dentre estes novos olhares, encontramos o comer emocional, os aspectos hedônicos da alimentação e o ambiente obesogênico.

Como as tradicionais dietas restritivas trazem uma contrapartida muito pesada para o lado psicológico do paciente, a média de insucessos nessa prática chega a superar os 90%. É comum, ainda, que o paciente passe a acumular mais peso com o tempo do que tinha antes do início da dieta proposta. Por isso, é preciso também atentar a esse risco.

 

Teorias de análise

Algumas teorias estudam o fenômeno de que enquanto eclodem novos tratamentos para obesidade e novas intervenções dietéticas surjam como “promessa de controle definitivo” do peso corporal, o aumento de peso da população mundial só aumenta.

Dentre estas teorias, estão as de aspecto psicológico, que atribuem os problemas com o controle do excesso de peso a duas causas:

1. A capacidade reduzida de resposta aos controles internos de fome e saciedade e;

2. A um aumento da capacidade de resposta a estímulos, principalmente emocionais, não relacionados à fome e à saciedade (fome emocional).

Veja mais abaixo:

 

Teoria do set-point

De acordo com esta teoria, o peso de um indivíduo é regulado por um ajuste que difere de indivíduo para indivíduo. Ou seja, "os centros de alimentação do hipotálamo parecem ajustar o consumo alimentar de modo a manter as reservas de gordura no nível habitual”, mesmo que este seja elevado.

A derivação mais importante da teoria do set-point é que o organismo vai defender o seu peso corporal contra a pressão para mudar, reagindo à perda de peso com a ajuda de ferramentas poderosas, fazendo nosso corpo voltar àquilo que ele considera normal.

Se perdermos muito peso, nosso cérebro reage como se estivéssemos morrendo de fome e, independentemente de termos começado gordos ou magros, a resposta do nosso cérebro é exatamente a mesma.

Ainda no âmbito na teoria do set point, vê-se a perspectiva evolutiva, a qual sugere que a resistência do nosso corpo à perda de peso tem um “motivo”: quando o alimento era escasso, a sobrevivência dos nossos ancestrais dependia de pouparem energia e recuperar peso; ao conseguirem alimento os ajudava a se prepararem para uma futura escassez.

A ativação deste sistema de “defesa” seria facilmente detectada quando a massa de gordura corporal se desvia do seu nível defendido, como ocorre, quando as pessoas praticam restrições calóricas voluntárias.

A resposta homeostática a este desafio inclui tanto um aumento da vontade de comer, quanto uma diminuição da taxa de gasto energético e esta combinação persiste até que o peso perdido seja recuperado.

 

Estímulos Ambientais

Outra teoria é a dos estímulos ambientais que concluiu que “comer, para pessoas com excesso de peso, parece alheio a qualquer estado interno, visceral, mas é determinado por estímulos ambientais relevantes, tais como a visão, cheiro, e sabor dos alimentos”.

Esta hipótese, de observação mais empírica, explicaria por que essas pessoas muitas vezes comem demais em ambientes ricos em alimentos.

 

Hedonismo Alimentar

A última teoria que mencionaremos aqui é a do hedonismo alimentar. Essa ideia levanta a hipótese da importância da palatabilidade dos alimentos e as recompensas psíquicas e fisiológicas que estes alimentos proporcionam, postulando que as pessoas não são levadas a comer por quedas nos seus recursos energéticos abaixo do normal.

Em vez disso, são atraídas para comer pelo prazer antecipado de comer.

Ao contrário do tabagismo, hipertensão, e dislipidemias que possuem algumas terapias seguras e eficazes, há pouco consenso sobre a abordagem ideal para o controle do peso.

Entretanto, através das análises em vários estudos, parece que, independente do tratamento seguido, as estratégias multifacetadas que proporcionam mudança no estilo de vida envolvendo abordagens baseadas em torno de atividade física, terapia comportamental aconselhamento nutricional e apoio psicossocial, seriam o que realmente influencia de forma mais efetiva o controle do peso em longo prazo.

Ao contrário de dietas restritivas e da “moda”, que oferecem redução de peso em curto prazo, devolvendo os indivíduos aos seus hábitos anteriores, desperdiçando os ganhos que foram alcançados em curto prazo.

Para encerrar, vale lembrar ainda que os mesmos fatores que provocavam o ganho de peso também provocavam o desenvolvimento de distúrbios alimentares.

 

Aprofunde seu estudo

A Faculdade iPGS possui um curso de especialização inteiramente dedicado ao estudo do Comportamento Alimentar.

Lá, abordamos com profundidade tudo de mais relevante ligado à fome emocional, além de muitos outros mais.

Por isso, há vários motivos para você conhecer mais sobre o curso:

A especialização em Comportamento Alimentar proporciona ao aluno o conhecimento adequado e necessário para instrumentalizar nutricionistas e demais profissionais para realizar uma mudança efetiva e natural no comportamento alimentar dos pacientes.

A abordagem do programa é fundamentada em estratégias contemporâneas de aconselhamento nutricional, entrevista motivacional, técnicas de terapia cognitivo-comportamental, técnicas do comer intuitivo e do comer consciente, que possibilitam ao profissional conduzir no paciente o desenvolvimento de um saudável comportamento alimentar durante as consultas.

Entre as disciplinas estudadas no curso, estão Fundamentos do Comportamento Alimentar, Psicologia Aplicada ao Comportamento Alimentar, Aconselhamento Nutricional nos Ciclos da Vida, Transtornos do Comportamento Alimentar, e o Tratamento do Comportamento Alimentar em Doenças Crônicas.

Por estar gerando cada vez mais interesse no público, o Comportamento Alimentar é uma especialidade com uma demanda crescente de profissionais no mercado.

Se você pensa em fazer uma especialização para alavancar a sua carreira ainda mais, e deseja também agregar qualidade de atendimento e conhecimento científico, em um segmento da Nutrição que segue em expansão, o Comportamento Alimentar é uma excelente possibilidade.

 

Referências do texto

- STROEBE, W.; VAN KONINGSBRUGGEN, G. M.; PAPIES, E. K.; AARTS, H. Why most dieters fail but some succeed: a goal conflict model of eating behavior. Psychol Rev, 120, n. 1, p. 110-138, Jan 2013.

- Vigitel Brasil 2019 : vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico : estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2019 [recurso eletrônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Analise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

Organização e autoria: Rafael Marques Soares - Coordenador da pós-graduação em Comportamento Alimentar – IPGS.