Comportamento alimentar e neurobiologia dos transtornos psiquiátricos

Como você já sabe, o Comportamento Alimentar estuda também os aspectos sociais, psicológicos e culturais de cada paciente, o que impacta diretamente na construção de seus hábitos alimentares.

Contudo, isso não significa que a área deixe de levar em conta também os aspectos biológicos relacionados à alimentação, como veremos a seguir.

Confira a o post completo abaixo!

 

Sumário

Comportamento Alimentar e aspectos biopsicossocioculturais

Transtorno da compulsão alimentar em pré-adolescentes

Impactos do TCA

Aprofunde seu estudo

Referência

 

Comportamento Alimentar e aspectos biopsicossocioculturais

Um equívoco comum de quem não se aprofunda no estudo do comportamento alimentar humano, ou tem preconceito com a área, é acreditar que há “negação” neste campo.

Ou seja, por consequência, acreditar que há desconhecimento dos aspectos biológicos relacionados à alimentação e à nutrição como um todo.

Na verdade, é impossível para qualquer profissional que queira trabalhar com Comportamento Alimentar dissociar qualquer um dos aspectos biopsicossocioculturais da alimentação.

O que o estudo dessa área faz é justamente incluir também as reflexões necessárias decorrentes dos aspectos psicológicos, sociais e culturais, ampliando o entendimento sobre os hábitos alimentares de cada paciente.

 

Transtorno da compulsão alimentar em pré-adolescentes

Um artigo recentemente publicado na revista Psychiatry Research traz alguns pontos importantes sobre o transtorno da compulsão alimentar (TCA) em pré-adolescentes.

Para este estudo foram realizados e analisados exames cerebrais e outros dados de 71 crianças com transtorno de compulsão alimentar diagnosticada e 74 crianças sem transtorno de compulsão alimentar periódica, que fazem parte de um grande estudo longitudinal chamado Adolescent Brain and Cognitive Development Study.

Esse estudo inclui dados de 11.875 crianças de 9 a 10 anos que foram inscritas em 2016-2018 e recrutadas em 21 locais nos EUA.

O transtorno da compulsão alimentar periódica, que afeta cerca de 3-5% da população dos EUA, é caracterizado por episódios frequentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos e uma sensação de não ter controle sobre o comportamento.

As descobertas do estudo sugerem que o desenvolvimento anormal nos centros do cérebro para recompensa e inibição pode desempenhar um papel importante neste comportamento.

 

Impactos do TCA

As varreduras do cérebro de crianças de 9 a 10 anos com TCA mostraram diferenças na densidade da massa cinzenta em comparação com seus pares não afetados.

Os pesquisadores relataram que, em crianças com transtorno de compulsão alimentar, são encontradas anormalidades no desenvolvimento do cérebro em regiões especificamente ligadas à recompensa e à impulsividade, ou à capacidade de inibir a recompensa.

Elas possuem uma sensibilidade de recompensa muito elevada, especialmente em relação a alimentos altamente calóricos e ricos em açúcar, conjecturando que este comportamento não deve ser atribuído exclusivamente à “falta de disciplina” destas crianças.

A conclusão do artigo cita ainda que o TCA de início precoce pode ser caracterizado por anormalidades morfológicas difusas na densidade da substância cinzenta, sugerindo alterações na arquitetura cortical que podem refletir diminuição da poda sináptica e arborização, ou diminuição das fibras mielinizadas e, portanto, aferentes inter-regionais.

Nas crianças com transtorno de compulsão alimentar periódica, eles observaram elevações na densidade da massa cinzenta em áreas que normalmente são “podadas” durante o desenvolvimento saudável do cérebro.

A poda sináptica, fase de desenvolvimento que ocorre entre os 2 e os 10 anos, elimina as sinapses que não são mais utilizadas, tornando o cérebro mais eficiente. A poda sináptica perturbada está ligada a vários distúrbios psiquiátricos.

Por isso, entender os transtornos alimentares como doenças psiquiátricas multifatoriais, com altíssima relação com as questões ambientais, é fundamental para que não haja culpabilização e estigma dos pacientes, sendo também imprescindível para que a abordagem e tratamento seja o mais eficaz possível.

 

Aprofunde seu estudo

A Faculdade iPGS possui um curso de especialização inteiramente dedicado ao estudo do Comportamento Alimentar.

Lá, abordamos com profundidade tudo de mais relevante ligado à fome emocional, além de muitos outros mais.

Por isso, há vários motivos para você conhecer mais sobre o curso:

A especialização em Comportamento Alimentar proporciona ao aluno o conhecimento adequado e necessário para instrumentalizar nutricionistas e demais profissionais para realizar uma mudança efetiva e natural no comportamento alimentar dos pacientes.

A abordagem do programa é fundamentada em estratégias contemporâneas de aconselhamento nutricional, entrevista motivacional, técnicas de terapia cognitivo-comportamental, técnicas do comer intuitivo e do comer consciente, que possibilitam ao profissional conduzir no paciente o desenvolvimento de um saudável comportamento alimentar durante as consultas.

Entre as disciplinas estudadas no curso, estão Fundamentos do Comportamento Alimentar, Psicologia Aplicada ao Comportamento Alimentar, Aconselhamento Nutricional nos Ciclos da Vida, Transtornos do Comportamento Alimentar, e o Tratamento do Comportamento Alimentar em Doenças Crônicas.

Por estar gerando cada vez mais interesse no público, o Comportamento Alimentar é uma especialidade com uma demanda crescente de profissionais no mercado.

Se você pensa em fazer uma especialização para alavancar a sua carreira ainda mais, e deseja também agregar qualidade de atendimento e conhecimento científico, em um segmento da Nutrição que segue em expansão, o Comportamento Alimentar é uma excelente possibilidade.

 

Referência

Regional gray matter abnormalities in pre-adolescent binge eating disorder: A voxel-based morphometry study - doi.org/10.1016/j.psychres.2022.114473