Comer Emocional: conheça esse conceito e a sua inserção na Nutrição

O comer emocional é um conceito que vem sendo cada vez mais estudado no âmbito da Nutrição. Esse trabalho se faz, principalmente, dentro do campo do Comportamento Alimentar.

Para entender mais sobre essa ideia, e como isso vem sendo abordado dentro da Nutrição, dedicamos o post de hoje a esse tema.

Aqui, vamos explicar o que é comer emocional e a diferença entre fome emocional e fome física. Além disso, vamos apresentar algumas das causas que levam ao comer emocional e também dar dicas sobre como proceder nesses casos.

Acompanhe todo o post abaixo!

 

Sumário

O que é comer emocional?

Fome emocional e fome física

Causas que levam ao comer emocional

Dicas para lidar com o comer emocional

Especialização em Comportamento Alimentar

Referências do texto

 

O que é comer emocional?

Realizar a alimentação, para nós seres humanos, é muito diferente do que para os outros animais.

Não comemos somente com a intenção de sobreviver, nos nutrir ou apenas para satisfazer a fome física.

Algumas vezes, recorremos à comida em busca de conforto, alívio do estresse ou para recompensar a nós mesmos.

Isso é ruim?

De vez em quando, usar comida como estímulo, recompensa ou para comemorar não é necessariamente uma coisa ruim.

Muitos de nós também recorremos à comida em busca de conforto e alívio do estresse. Entretanto, quando comer é o seu principal mecanismo de enfrentamento emocional - quando seu primeiro impulso é abrir a geladeira sempre que está estressado, chateado, com raiva, solitário, exausto ou entediado - você fica preso em um ciclo perigoso. Nele, o verdadeiro sentimento acaba não sendo abordado, sendo sufocado pela comida.

Isso, chamamos de comer emocional – que é usar a comida para se sentir melhor e preencher necessidades emocionais.

Contudo, o ponto é que a fome emocional não pode ser saciada com a comida. Comer pode parecer bom no momento, mas os sentimentos que desencadearam o ato de comer ainda estarão lá.

Muitas vezes você se sente pior do que antes, por ter ingerido algo que, além de não mudar a situação, não estava nos planos de sua rotina alimentar.

Uma característica peculiar da fome emocional é recorrer a alimentos de alta palatabilidade e densidade energética (mais gordurosos ou açucarados). Sabemos que de forma transitória e muito rápida eles acionam áreas de nosso cérebro responsáveis pelas sensações de prazer.

Tudo isso ainda pode piorar se você estiver em meio a uma dieta restritiva. São exatamente estes alimentos que estarão fora de sua dieta, e você terá um segundo motivo para recorrer a eles.

 

 

Fome Emocional e fome física

Além da fome emocional, existe também a fome física. Esta última, representa a nossa real necessidade biológica e fisiológica de alimentação.

Um modo de tentar identificar as características que diferenciam a fome emocional da física está neste quadro:

 

Outros pontos de identificação da fome emocional são questões que os profissionais de saúde podem fazer a seus pacientes em sua prática clínica:

• Você come mais quando está estressado?

• Você come quando não está com fome ou quando está satisfeito?

• Você come para se sentir melhor (para se acalmar, quando está triste, bravo, entediado, ansioso, etc.)?

• Você se recompensa frequentemente com comida?

• Você come além da sensação de já estar satisfeito?

• A comida faz você se sentir seguro? Você sente que a comida é uma amiga, companhia?

• Você se sente impotente ou fora de controle em relação à comida?

 

Causas que levam ao comer emocional

Diferentes causas podem levar as pessoas a sentir a chamada fome emocional. Confira algumas abaixo:

Estresse

Esse é disparado o mais frequente, ainda mais quando o estresse é crônico, como costuma acontecer em nosso mundo caótico e acelerado.

Receio das emoções

Também é muito comum, quando a pessoa se alimenta com exagero para evitar as emoções difíceis que prefere não sentir.

Tédio ou sensação de vazio

Comer para se dar o que fazer, para aliviar o tédio, ou como forma de preencher algum vazio. No momento, isso preenche e distrai dos sentimentos latentes, como falta de propósito e insatisfação com a vida.

Hábitos de infância

Podemos aprender a comer de forma emocional ainda na infância. Quando os pais recompensam o bom comportamento com sorvete, levam para comer pizza quando o filho tira boas notas na escola, etc. Se esses hábitos são mantidos na idade adulta, a situação persiste.

Influências sociais

Comer com os amigos e familiares é uma ótima maneira de aliviar o estresse, mas também pode levar a excessos. É fácil exagerar simplesmente porque a comida está lá, ou porque todo mundo está comendo. Você também pode comer demais em situações sociais por causa do nervosismo e da pressão.

 

Dicas práticas para lidar com o comer emocional

Algumas atitudes e dicas práticas são benéficas a todas as pessoas, e tem também influência sobre a fome emocional.

Comer de forma consciente: Realizar outras atividades enquanto se alimenta, como comer enquanto assiste TV ou mexe no celular - pode impedi-lo de aproveitar totalmente a comida. Com a mente em outro lugar, é possível não se sentir satisfeito ou continuar comendo, mesmo que não esteja mais com fome. Comer com mais atenção pode ajudar a concentrar a mente na comida, no prazer de uma refeição e evitar comer “só para se acalmar”.

Praticar atividades físicas: Fazer alguma atividade ou exercício físico que seja prazeroso auxilia muito em nosso humor e na redução de estresse. Assim, faz bem para a mente e para o corpo, substituindo com muitos benefícios o papel da comida em suas emoções.

Valorize o descanso: Se pararmos 15 minutos para só nos concentrarmos em uma música que gostamos, assistir uma série que gostamos, talvez algum filme, ou até só ficar em silêncio ouvindo nossa respiração, isso também ajudará. É importante valorizar pequenos momentos de descanso e relaxamento mental durante nossas rotinas, pois acabam tendo contribuição vital no alívio do estresse.

Buscar tratamento profissional: Imprescindível mesmo nesses casos é procurar bons e capacitados profissionais para iniciar um tratamento adequado. É importante saber identificar gatilhos emocionais e aplicar os devidos procedimentos de aconselhamento nutricional e comportamental.

 

Especialização em Comportamento Alimentar

A Faculdade iPGS possui um curso de especialização inteiramente dedicado ao Comportamento Alimentar. Lá, abordamos com profundidade tudo de mais relevante ligado à fome emocional, além de muitos outros mais.

Por isso, há vários motivos para você conhecer mais sobre o curso:

A especialização em Comportamento Alimentar proporciona ao aluno o conhecimento adequado e necessário para instrumentalizar nutricionistas e demais profissionais para realizar uma mudança efetiva e natural no comportamento alimentar dos pacientes.

A abordagem do programa é fundamentada em estratégias contemporâneas de aconselhamento nutricional, entrevista motivacional, técnicas de terapia cognitivo-comportamental, técnicas do comer intuitivo e do comer consciente, que possibilitam ao profissional conduzir no paciente o desenvolvimento de um saudável comportamento alimentar durante as consultas.

Entre as disciplinas estudadas no curso, estão Fundamentos do Comportamento Alimentar, Psicologia Aplicada ao Comportamento Alimentar, Aconselhamento Nutricional nos Ciclos da Vida, Transtornos do Comportamento Alimentar, e o Tratamento do Comportamento Alimentar em Doenças Crônicas.

Por estar gerando cada vez mais interesse no público, o Comportamento Alimentar é uma especialidade com uma demanda crescente de profissionais no mercado.

Se você pensa em fazer uma especialização para alavancar a sua carreira ainda mais, e deseja também agregar qualidade de atendimento e conhecimento científico, em um segmento da Nutrição que segue em expansão, o Comportamento Alimentar é uma excelente possibilidade.

 

Referências do texto

Frayn et al. Emotional eating and weight regulation: a qualitative study of compensatory behaviors and concerns Journal of Eating Disorders (2018) 6:23
https://doi.org/10.1186/s40337-018-0210-6. 

L. Canetti et al. Food and emotion Behavioural Processes 60 (2002) 157/164.

Frayn, M. Emotional Eating and Weight in Adults: a Review Curr Psychol DOI 10.1007/s12144-017-9577-9.

Organização: Rafael Marques Soares - Coordenador da Pós-graduação em Comportamento Alimentar - IPGS